Futuros possíveis # 13 Liz Unikowski

Desde o Sul brasileiro, uma designer carioca com experiencia no mundo sustentável, nos compartilha sua visão sobre este futuro possível que parece cada vez mais próximo e coletivo. Entre mudanzas e editais, as respostas demoraram em ser publicadas, mas tudo chega no momento certo. Finalmente, com vocês: Liz Unikowski.



-Por favor, apresente-se em poucas palavras.

Olá, me chamo Liz, sim só Liz, e trabalho com design, moda, inovação social e novas organizações, sim tudo misturado em uma iniciativa só. Sou atualmente mestranda de design estratégico e atuo potencializando um grupo produtivo de costura.


-O que representa o momento atual para você? 

Sinto como uma pausa, na verdade, a gente sente tantas coisas diferentes em um espaço de tempo, não é? O momento atual é de valia variada para cada ser, e no meu caso o sentimento que prevalece é o de respiro para o meio ambiente. Algo me diz que estes meses de um mundo desacelerado em produções nocivas ainda vão render uns anos de recursos naturais preservados. É também a oportunidade de ver de maneira escancarada o quanto nosso sistema econômico é frágil, compreender que é preciso mudar, inovar. Um momento em que a crise social (para mim) faz parte do dia a dia, e a solução se mostra sistêmica (considero que sempre foi, mas a individualidade da uma cegada né?), não é mais um sem o outro, é o juntos.

Além disso tudo, neste momento e neste país, eu sinto um desgosto danado. Uma dor de dilacerar o coração ao entender que para muitos outros agora é o momento da boiada passar: -” estão distraídos”, hora boa para matar e desmatar, ótima oportunidade também para desvios bilionários de verbas emergenciais. E o mundo é isso aí, né? Diariamente busco equilíbrio e esperança. Não deixo de lutar mas percebi também que não consigo digerir toda essa barbárie e que é preciso se preservar. 


-O que, do modelo antigo, pode ser resgatado para o futuro?

Acho que depende muito do recorte que considera o antigo e o novo. Se eu analisar por exemplo um comportamento de consumo acho que poderíamos resgatar dos nossos antepassados a valorização de qualidade e durabilidade dependendo do produto. Se hoje o acesso às mercadorias em geral é mais prático para uma pequena parte da população e com isso tem um impacto negativo degradante ao planeta, certamente a outra parte, que não tem acesso, dificilmente será incluída. Rever nossas necessidades e valores é fazer com que esta pequena parte da população abra mão de conforto e praticidade para um equilíbrio entre o meio ambiente e a sociedade. 

Não vejo como um modelo antigo, ou um novo. Capitalismo ou socialismo. Vejo uma dissolução de polaridades, na qual passamos por transições. Essas transições podem ser rápidas (como uma pressão do covid19) ou podem ser tão lentas que não sejam efetivas.


-O que deve morrer?

Claramente ter uma pandemia em nosso sistema é algo que deveria “morrer”, mas mesmo que haja uma cura, repara que ela não morre né? Fica ali guardada e até se modifica em alguns casos. O que quero dizer é que hábitos nocivos, mesmo quando extintos, tem consequência; nada é estático. Exemplo: neste momento eu deixo de me deslocar com frequência e reduzo a minha pegada, mas vejo também que aumento dos “deliverys” de comida que mudou nosso hábito de tipo de “lixo”, vemos o isopor em proporções multiplicadas, uma montanha de lixo eterno... vejo máscaras atiradas no chão da rua. O que deveria morrer, é um modo de pensar, um modo individualista, que resolve emergências e máscara impactos. Deveria morrer o agir por impulso e não pensar nas consequências depois.


-O que deve nascer?

A responsabilidade social, responsabilidade pelo bem estar em um coletivo, dos indivíduos que compõem este coletivo, organizações do governo, privadas e o próprio cidadão. A responsabilidade de construir a vida que almejamos, para que possa se aplicar a todos. É hora de construir um agir com sentido que vai muito além do que apenas o econômico. 


-Num cenário utópico, como seria o futuro ideal?

Um mundo equilibrado, com poucos desperdícios, muito reuso, pouca extração, um equilíbrio social, uma reorganização de tudo que já existe mas de maneira a tirar o melhor de cada ser e cada relação.


-E na realidade, como seria um futuro possível?

Acho que existem muitos futuros possíveis, não faço previsões, mas espero e colaboro para um mundo mais igual.


-O que deve ser feito no nível individual, coletivo e estatal para consegui-lo?

Não acredito em fórmula pronta, as relações e necessidade precisam ser flexíveis e a partir daí gerar ações para um bem estar dos indivíduos e sociedade. A única certeza é que depende de todos eles.


-Qual pode ser o primeiro passo?

Acredito que a empatia pode despertar a sensibilidade e uma educação de respeito e responsabilidade pode ser um início para que as pessoas se questionem de qual mundo desejam viver e como fazer para construí-lo.


-Sua intenção: Quero que o futuro possível seja…

Mais justo e igual do que o nosso presente.



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